sábado, 22 de dezembro de 2007

A Cirurgia - Ato II

...e quando dou-me conta, estou acordando na sala de recuperação.
Foi tudo tão rápido, tão indolor, tão humano.
As enfermeiras concedem-me dois saquinhos plásticos, e logo entendo
o porque, a necessidade de ficar cuspindo sangue por mais ou menos
cinco minutos é indispensável.

-O Retorno- Minha estada na sala de recuperação foi curta, porém
extremamente agradável, todos como antes eram muito atenciosos, e
lamento por no momento conseguir apenas fazer pequenas reverênvias
de agradecimento quando gostaria de abraçar e beijar todos que me
ajudaram.
Após notar que estava completamente nú em baixo das cobertas e
retirado todos os eletrodos, fui recolhido de volta para meu leito
de repouso.

-Noite no hospital- Quando mirei meus conhecidos e familiares não
pude deixar de demonstrar felicidade, hehe, os posers realmente
foram os primeiros a me ver sem as amígdalas fora a família, e
lembro-me bem das primeiras palavras: "ieeeeeeeeee".
Lembro-me bem... do primeiro gole de água, mais parecia 100
prisioneiros cavando tunéis de fuga para escapar da penitenciária,
abrindo caminhos em uma garganta virgem de qualquer substância...
argh... a dor é muito irritante...
Não tenho do que reclamar do hospital, a noite foi tranquila,
apesar do incômodo e de não ter conseguido dormir. Os remédios de 1 em 1h eram definitivamente uma benção.
Acho que estou viciado em morfina... ah, que prazer inigualável...
o de não sentir dor!
Quando meus pais chegaram ainda não tinha recebido alta, no meio
tempo minha mãe contou que logo após a cirurgia eu agradeci a todos
e tentei beijar a anestesista. Realmente, viver uma parte de sua
vida e não lembrar é muito estranho. Mas foi avisado, será que eles
chegaram a mostrar minhas bolas? Que por sinal o próprio Dr.
Reinaldo disse que foram as maiores que ele já viu na vida.

-Alta- Quando o Dr. Ricardo retornou para me dar alta já estava
quase implorando para ir embora. Mal eu sabia que rezaria para
voltar ao hospital no dia seguinte. No dia seguinte, quando os
remédios já não eram mais de hora em hora, a dor real começou a se
manifestar. Equivalente a minha pior amigdalite, porém estava
multilado, e a agonia era contínua, nada podia, e ainda nada posso
fazer a não ser esperar.

---
Agradeço mais uma vez a toda equipe de profissionais que esteve

envolvida em minha cirurgia, familiares e amigos que prestaram

lembranças e estão até agora me dando apoio para que esta fase

termine um quanto antes.
Com carinho
Guilherme Nordi Colosio ;)

Nenhum comentário: